Quando voltei a postar texto em blog fiquei um pouco preocupado de como faria para ter o que dizer ou ter o que postar. Então determinei a mim mesmo que escreveria todos os dias, mesmo nos dias em que não estivesse a fim, para que eu produzisse um estoque de textos ou um pequeno arquivo. Acho que me impolguei demais e sem perceber o ritmo em que as postagens aconteciam continuei com minha determiação imposta a mim por mim mesmo. Ai o cadernão ficou de lado e as folhas avulsas foram aumentando de volume com alguns bons textos( segundo minha bela abelha, Douta, bailarina). Depois de uma avaliação balizada de quem conhece do riscado(literalmente) não parei mais de "escrevinhá". Com ou sem inspiração corro a tinta no papel, nem me preocupo se gasto muita caneta, aqui em casa tem um estoque satisfatório, algumas somem no quarto do Pedro, outras vão parar na bolsa da Jacque, mas a maioria fica em lugar inespugnável. Esse frenesi "escrevinhador" iniciou-se em janeiro. De acordo com o amigo Jens "o avanço da idade faz com que tenhamos a vontade de registrar com mais frequência nossas experiências" e realmente percebo esse avanço , mas fico olhando ela passar , eu tô na minha, deixa ela ir em frente...vai passando..enquanto ela passa correndo eu vou andando lentamente olhando a paisagem ..a idade é muito apressada não aprecia o entorno, fica fazendo pressão. Por falar nisso, minha pressão anda meio desregulada ...sintoma dessa pressa da idade. Agora é assim, não consigo ir para cama sem escrever uma lauda que seja só pra desanuviar. Teimoso, depois de lavar a louça, vou pra cama crente que vou conciliar o sono rapidamente , mas para minha surpresa as letras ficam dançando na minha frente e quando me viro ..lá vem elas novamente ,zumbindo feito borrachudo em acampamento. Repelente aqui é feito de tinta azul, vermelha ou peta. Como não consigo escrever diretamente no computador recorro a velha esferografica. Sei lá , parece até aquele chazinho que agente bebe antes de dormir. Será que estou viciado em escrever ? Espero, então, que isso não tenha cura....minha bailarina me encontrará atônito embriagado de metaforas, largado no sofá da sala...quando ela tentar falar comigo responderei adjetivos substantivados em uma prosódia inusitada..saidos de minha pena inquieta!!!
sábado, 31 de julho de 2010
quinta-feira, 15 de julho de 2010
O processo
Algumas coisas são repugnantes no ser humano e uma delas, que fico me perguntando porque será que isso acontece, é traço fundamental dos trabalhadores de repartições públicas, que me desculpem meus amigos blogueiros servidores. Quando você vai procurar alguma informação a respeito de assuntos relativos a doumentação de imóvel ou similares o sujeito no balcão antes mesmo de você falar já pergunta;__tá com o inteiro teor aí? É ...porque se não tiver nem adianta tirar os documentos!!! As vezes o assunto é de outra natureza , mas não adianta. Um belo dia fui a secretaria de Educação ( onde por sinal é o que mais falta) e me informei na portaria onde conseguia informação sobre cadastro de professores. O guarda me indicou uma porta...fui até a porta e lentamente abri para me a nunciar e dei de cara com uma senhora que em pleno expediente se maquiava sem nenhuma cerimonia, olhou pra mim como se sua maquiagem fosse um despacho presidencial (neste caso era municipal mas a pretensão é a mesma) e teve a petulância de pedir que eu aguardasse no lado de fora . Para minha surpresa quem me direcionou para outra pessoa do setor ..sabe quem foi? O rapaz da limpeza que vinha passando e se condoeu da minha cara de de maracuja, ali perto da porta, desanimado. Por intermédio dele que consegui a informação que precisava e vazei dali!
O pior são aqueles que tratam da sua vida documental como servidor..eu já aprendi que não se pode ter dúvidas. Qualquer pergunta feita por eles você responde sim,tudo correto! pois senão será o seu martírio. Não estão prontos a resolver nada, parece até que incorporaram o imenso mecânismo burocratico do qual fazem parte e se você vacilar tornar-se-a um personagem kafkaniano completamente perdido, não sabendo pra onde vai nem porque.
"na verdade, numa burocracia presa nesse circulo vicioso , o maior dos crimes é cumprir de maneira simples e direta a tarefa que deve ser cumprida, se o serviço estatal de concertos cumpre realmente a sua tarefa, isso é considerado um subproduto infeliz, já que o grosso da sua energia é usado para inventar procedimentos administrativos complicados que permitam inventar sempre novos obstáculos e assim adiar indefinidamente o trabalho"(ZIZEK:2008,PÁG160).
Recebi o telefonema da coordenadoria na qual agora sou professor lotado, me informando qual seria a data da minha perícia admissional e caí na besteira de falar a atendente que só faltava o eletrocardiograma..pra que! Ela imdiatamente responde com uma doçura de dar inveja:__Olha, meu bem, tem que estar com todos os exames, ta! O fato é que por trás deste "olha meu bem" está embutido o seguinte; eu não tenho nada a ver com isso, se você não levar os exames será cortado. Eu só estou ligando pra te avisar viu "meu bem!". Kafka e seu processo são atemporais e quem leu e já passou pelas repartições ou qualquer orgão movido pela burocracia vai concordar comigo. O mecanismo é absurdamente estéreo ...uma porta você apresenta os documentos..noutra porta carimbam os mesmos documentos, na terceira porta há uma vistoria dos carimbos e assinaturas ...se faltar um carimbo você volta a primeira porta.
Citação:
ZIZEK,Slavoj. A visão em paralaxe. Ed. boitempo,2008
Citação:
ZIZEK,Slavoj. A visão em paralaxe. Ed. boitempo,2008
sexta-feira, 2 de julho de 2010
O telegrama!
O porteiro aqui do prédio me chamou e disse:__Celso tem um telegrama ai pra você! Momento de suspense pois as contas aqui andam meio atrazadas, minha primeira sensação ou intuíção foi de que seria telegrama de cobrança, mas depois de algum tempo me lembreri que nunca recebera telegrama de cobrança. Telegramas são de más notícias, falecimento, hospitalização..ou prêmio. Ma sa entonação que o porteiro imprimiu na voz ao se referir ao documento, me parecia ser algo de errado, ele me falou em um tom sério, grave, não poderia ser algo diferente. As crianças brincando no pátio com sua gritaria aumentavam a confusão que se desenhava na minha cabeça. Com o documento em mãos não sabia se abria ali mesmo e acabava de vez com o suspense ou se compartilhava meu medo com minha senhora que pilotava seu possante fogão em nosso castelo de 11 andares. Entrei no elevador e demorei ainda para apertar o botão do andar onde moramos..olhava e olhava o telegrama, virava desvirava e imaginava o que a mensagem traria em seu interior. Apertei o botão e resolvi então abrir o telegrama..na medida em que o elevador se movesse. Sozinho, ali naquele lugar poderia receber melhor uma má notícia se assim fosse, o que me protegia era apenas a porta pantografica de nosso antigo elevador. 4ºandar e nada de abrir o telegrama. perto da porta de casa rasguei o picote nos lados e fui lentamente desdobrando a folha ao mesmo tempo que entrava no apartamento. Para minha surpresa e alívio o telegrama dizia em letras garrafais: SOLICITAMOS SEU COMPARECIMENTO A SEEDUC-rua da ajuda n°5 no dia tal horário tal..afim de tratar da primeira etapa de sua admissão. O telegrama me convocava em virtude de aprovação no concurso público para profesor de artes. Ao mesmo tempo que lia o texto mostrava para minha senhora que em um mixto de alegria e perplexidade , abria um sorriso luminosamente azul. Desci para o pátio novamente para folhear o jornal. ..o céu estava mais azul o dia mais iluminado com a certeza, agora, de que as contas voltarão a ficar em dia!
Ps. Essa convocação já aconteceu algum tempo. Estou no ciep 351 desde Abril deste ano. Se você quiser pode visitar o blog da escola onde trabalho em "bom de Ler". As fotos e o texto são meus!!!!
terça-feira, 15 de junho de 2010
Saudade.
Chegou aqui pequenina ainda, nem conseguia andar sozinha de tão miuda e para completar, quando ganhou um pouco mais de idade desenvolveu uma doença que não sabiamos bem do que se tratava. Nos assustou porque derrepente ela começava a se debater as vezes soltando urina por todo lado...descontroladamente! Tratamento feito, os ataques foram embora. Na verdade ela chegou porque meu sogro partiu e por isso seu nome é saudade. Meu cunhado presenteou minha sogra por achá-la triste e sem compania, já que eu e Jacque estavamos para nos mudar para o atpº de cima. Ficou pouco tempo com D. Lucy porque quem ministrava as aplicações do remédio recomendado pelo veterinário era Jacqueline, de formas que saudade tinha em Jacque sua mãe. Adotamos saudade pois fora esses cuidados médicos havia ainda a necessidade de arrumar sua areia diariamente, coisa que D. Lucy nos seus oitenta não tinha mais condições de fazer. Se Jacque era mãe eu era o pai que trocava a areia e a ração e aos poucos fomos nos acostumando com os pelos, os bancos carcumidos, sofas destruídos que a medida que o tempo passava e a nenem gato crescia, as peripécias diminuiam. Lembro-me ainda e quando Pedro nem nascera e ela (saudade) já demonstrava todo seu ciúme fazendo necessidade fora da caixa só pra chamar atenção, isso na verdade acontece até hoje. Quando saudade se sente preterida tasca um cocozãono nosso quarto sem dó nem piedade. Oh bicho inteligente! Apesar do Pelo, do cio (que demora uma semana ou mais pra passar), do ciúme que tem do Pedro e de ainda ser bicho do mato e se esconder a cada nova visita, saudade faz parte da família. Exatamente enquanto escrevo esse texto ela se enrosca em minha perna evidenciando sua vontade de que eu me levante e vá com ela até seu pote de raçãopara, simplismente , observá-la comer. Se eu demorar muito ela fica miando até que eu saia da cadeira. Como eu já estou demorando mais do que o habitual, ela já está me arranhando, então acho melhor atender o pedido da saudade e terminar essas linhas incentivando você que pensa em ter um gato. Adote um se você não for uma pessoa tão carente de atenção pois ele gosta do dono sem bajular. O gato é um bom bicho de estimação você só tem que ter paciência com suas idiossincrasias.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
DevAneiOS l
Estou aqui na madrugada sem vontade de dormir. Não parece ser uma insônia, poi esta incomoda, é uma falta de vontade incômoda, ao contrário do meu estado sonambulamente consciente. Me acompanha na sala a gata. Depois que dou uma olhada nos blogs dos amigos arrisco voôs novos. Muita gente interessante mas que só quer ser lida, não devolve comentários e nem visitas, isso desanima um pouco mas continuo confiante... Desligo o computador e venho para sala escrever um pouco antes de dormir, lentamente olho em volta para cada objeto que mora aqui em casa. Açucares e café instatâneo sobre a mesa junto com a stevita da Jacque. Os discos, as contas, os livros, os quadros, os videos. Algumas poucas fotos na estante contam a nossa história desde quando namoravamos passando pelo falecimento do sogrão até a chegada do Pedro. Os vidros de homeopatia que só a Jacqueline para ministrá-los, lembranças de alunos, incetos empalhados e moedas aos montes. Lá em cima no último patamar da estante encontro fitas cassete e fitas VHS empoeiradas. Saudade, nossa gata, agora espreguiça-se no sofa ao lado do Mac Steel que Pedro esqueceu por aqui. Um metrônomo que deixou a muito de marcar qualquer tempo, mostra-se imponente em sua caixa pirâmidal de madeira (ainda o conserto). Apesar de nunca ter usado tal instrumento para estudar as escalas e exercícios. Meu estômago reclama a falta de algum lanche ou mesmo um copo de leite. Podia continuar a escrever e a escrever sobre o silêncio de casa que depois da meia-noite revela a sonoridade das coisas na memória de um sonâmbulo porque " a tinta de escrever, por suas forças de alquimica tintura, por sua vida colorante, pode fazer um universo, se apenas encontrar se sonhador(...)que cada um dos leitores -leitores que leêm os signos- escolha aqui, portanto, o mineral de seu próprio destino; o mármore, o jaspe, a opala: que cada um encontre a gruta onde vegeta a pedra que lhe está intimamente relacionada(...) Se souber escolher, se escutar os oráculos da tinta profética, terá a revelação de uma estranha solidez dos sonhos" (Bachelard). O antídoto eu já encontrei; escreva por volta de umas 30 linhas o que vier a mente, alimentando um sonho que já se vive, então assim, seu devaneio materializa-se a cada nova linha na histária guardada por cada objeto. Opa! o sono tá chegando, as letras vão se misturando...melhor me recolher que pego cedo no batente..só ouço o motor da geladeira em duas ou três vozes. A medida que guardo meu material constato que a madrugada é um refúgio, daí minha sensação de conforto diante da falta de sono. Acho que agora eu vou é acordar, boa noite!!
domingo, 16 de maio de 2010
Invisibilidade
enquanto seu lobo não vem, Seu lobo tá aí?
tá e quer vender,vender,vender...!!!
Fiquei pensando nestes dias sobre a invisibilidade. Invisibilidade em todos os sentidos, mas um exemplo me chama mais atenção aquele que envolve o aspecto social. Osujeito que vai ficando invisível a medida que perde o poder aquisitivo. Traduzindo; na sociedade em que vivemos o grau de maior ou menor participação na existência é determinado pelo nosso poder de consumo, na prática poderíamos apelar para a imagem do shopping center pois "o Shopping tem uma relação diferente com a cidade que o rodeia e oferece seu modelo de cidade miniaturizada, que se torna independente soberanamente das tradições, não conheceu hesitações, archas e contra-marchas, correções ,destruições, influ}ências de projetos mais amplos, e quando há algo de história, não se coloca o conflito apaixonante entre a resistência do passado e o impulso do presente" . Prédio ascéptico, totalmente ou quase , protegido contra os indesejáveis, aqueles que não podem consumir conforme manda a lei, (tácita) ou invisível. Um lugar desenhado, arquitetado para o consumo. Um consumo que atravessa o individuo, pois não está mais em determinado tempo da nossa vida. Este consumo já a muito se entranhou no nosso dia-a-dia e para algumas pessoas é inadmisivel sair de casa sem dar uma passadinha no shopping porque "certas condutas ansiosas e obsessivas de consumo podem ter origem numa insatisfação profunda, segundo analisam muitos psicólogos. Mas em um sentido mais rtadical, o consumo se liga, de outro modo,com a insatisfação que o fluxo errático dos significados engedra. Comprar objetos , pendurá-los ou distribuí-los pela casa, assinalar-lhe um lugar em uma ordem, atribuir -lhes funções na comunicação com os outros , são os recursos para se pensar o próprio corpo, a instável ordem social e as interações incertas com os demais" . A invisibilidade dos mecanismos do marketing , que sabe para quem fala e quem quer atingir..essa invisibilidade é aquela que tem como objetivo criar uma necessidade que eu e você não temos porque sabemos que podemos viver sem alguns (muitos) objetos. Como somos seres frágeis, carentes no melhor e no pior sentido da palavra, incompletos nos deixamos levar por apelos abomináveis de descontos ou exclusividades. Quem melhor analisou esses mecanismos, acredito , foi Marx, trazendo a tona tudo o que estava por trás desta invisibilidade que nada mais é do que a estrutura sobre a qual moldamos nossos comportamentos. O que de invisível há nestes objetos tão desejdos? não adquirimos o objeto pelo objeto, sobretudo nos dias de hoje! melhor seria perguntar; por que não conseguimos enxergar em nós aquilo que nos impulsiona ? tenho a desconfiança que carecemos de amor, enquanto não preenchermos essa carência, seremos alvos fáceis do frenezi dos descontos, dos lançamentos exclusivos e dos objetos em número limitado. Quando o amor chega e se instala descotrtina-se o véu da invisibilidade...
Referência:
CANCLINI,Nestor.Consumidores e cidades; conflitos multiculturais da globalização. Ed. UFRJ, 1995.
domingo, 2 de maio de 2010
Escrita
A despeito dos avanços tecnológicos, nas suas opções de arquivamento e facilidades como a diminuição do acúmulo de papeis prefiro escrever a mão antes de postar meus textos. Curiosamente isso acontece também com relação a música,pois o instrumento que escolhi tocar não funciona a base de energia elétrica portanto se faltar luz eu continuo tocando minha flauta seja ela de metal ou aquela de bambú que lembra o primeiro homem. Gosto do cheiro da tinta quando estou de caneta ou do som do lápiz deslizando no papel. Eles amarrotam a folha de um jeito gostoso. Inevitalvelmente acumulo folhas, e por isso a falta de ordem nas postagens, mas elas são testemunhas mortas que ganham vida porque guardam minhas palavras e não só por isso, mas também porque revivem ao serem folheadas por outro alguém. Não me furto a aprender os movimentos novos que a tecnologia exige, afinal é mais um mundo que serevela. No entantde me nego a deixar de lado o hábito da escrita a mão, esse sentimento se reforça agora quando vejo Pedro escrever suas primeiras letras, mas já desde quando rabiscava seus primeiros desenhos que por nós foi insentivado, sabidos que somos da importância para sua coordenação motora seu desenvolvimento psiquico. Ritual sagrado esse da escrita que precisa de um tempo em separado. No meu caso esse tempo só acontece nas madrugadas, no silêncio, tal qual Bahelard fala " quando a insônia, mal dos filósofos aumenta devido ao nervosísmo causado pelos ruídos da cidade (...) tarde da noite, os automóveis roncam e o barulho dos caminhões me faz maldizer o meu destino de citadino consigo paz vivendo as metaforas do oceano" Esse ritual se faz necessário para que eu mergulhe no oceano de metaforas. Minhas próprias metáforas sem as quais não conseguiria construir meu universo. Vou levando a vida escrevendo cada pedacinho dela letra por letra saidos de inumeros grafites e esferograficasa marcar nestas folhas minhas impressões, assim como o primeiro homem gravou na pedra seu mundo e suas vivências vistas por nós milhões de anos depois.
sábado, 24 de abril de 2010
Outros mundos!
Passeando pela imaginação de Pedro encontramos um mundo vastíssimo que desde seus 2 anos preenche nossa casa e que por vezes nos vemos envolvidos nele. Já perdemos as contas de quantas vezes visisitamos "bolópia" e "muruíbas" cidades existentes em algum lugar da cebeça de meu filho. " Efelicialmente" Pedro vai contando e brincando. Necessita apenas de dois carrinhos e um inter-locutor que na maioria das vezes sou eu. Essas viagens acontecem com auxiílio de poucos objetos somados aos gestos "descambalhados" com os quais nos entregamso as brincadeiras. Acho que bolópia fica no sul e muruíbas no norte, isso vai depender do estado de espírito, do tempo e é claro da imaginação. Eu sei que agente so chega lá de "domículos", sem isso é impossível fazer viagem, mesmo que seja imaginária. Dia desses me chega Pedro todo preocupado falando;__Pai, precisamos visitar o "Répti" lá em bolópia e depois temos que dar uma passadinha na casa do "Palalita" lá em muruíbas! e eu perguntei:__mas Pedro esses seus amigos já não deixaram de vir aqui em casa? e Pedro: ___É pai, mas agente precisa visitar, né? Tudo bem, vou aprontar nosso "domículos" tranquilizei ele.Será que teremos alguma "coloseimas" para levar na viagem ?Não sei não pai, mas agente não pode esquecer de dar um beijo na mamãe porque ela é muito "apertosa". Volta e meia Pedro vem com uma palavra inventada, as vezes ele traduz pra gente mas tem outras que não tem tradução como por exemplo: "gerassa" que insisti em saber o significado e perplexo fiquei diante da resposta:__gerassa é gerassa, né pai! Tudo é possível para uma criança que, como Pedro, acredita que" o equilíbrio é uma bicicleta que anda no ar sabendo que as letras são importantes" e que "mentira é pra boi correr". E ai Pedro você entendeu o que eu disse? ___Hum..vamos ver...na minha imaginação não, mas no meu coração sim!
Sumário: Este súmario só funciona se você se colocar no lugar da criança.
Efelicialmente- Alegremente, com alegria, com certeza. certamente.
bolópia e muruíbas- qualquer lugar do espaço-tempo que caiba na sua imaginação!
domículos- qualquer veículo que não sejam os que existem.( você tem que criar)
Palalita- um amigo imaginário que segundo Pedro faz com que ele faça muitas coisas erradas.
Répti- um amigo imaginário que segundo Pedro faz com que ele faça as coisas certas.
coloseimas- depois que Pedro assistiu a fantástica fábrica de chcolate (versão original) usou essa palavra durante muito tempo.
descambalhados- desarrumado, sem compromisso, sem noção de tempo....
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Resenha
Vou dando passos de palavra em palavra para dar conta dos sonhos, um deles contado no último post. Mas nem só de sonhos vive o homem, ainda que sejam eles , molas que nos impulsionan para a conquista de novos territórios ou a curiosidade por novos horizontes. Nesse caso a de se alimentar os sonhos com leituras , é desta forma que desenvolvemos um mecanismo poderoso de fortalecimento de nosso repertório. Lembrando uma frase famosa que diz que "uma casa sem livros esta sem alma" faço desta minha epígrafe, pois a alma aqui de casa é vasta, amplissima, eu diria proporcionando os mais diversos sonhos e devaneios que pudermos imaginar. Nestas "leituranças" entre Artes, Filosofia, Antropilogia, Ficção , eu tenho algumas predileções e, não coincidentemente, fui convidado por Georgia para escrever uma resenha de algum livro que me interessasse, assim que recebi seu e-mail impunhei minha esferografica e parti para esse texto. Havia acabado de indicar para uma colega, um livro que me impactara muito por seu teor teológico e pela sua inusitada forma de apresentação. Me vi, então, impelido a compartilhar com os outros essa minha impressão. Na verdade uma oportunidade bem legal de divulgar uma obra, ao meu ver, importante e indispensável. Ela atende ao entretenimento de leigos e responde a algumas perguntas a respeito de assuntos da alma, sem agredir a fé de quem lê, ou seja, uma leitura sem contra indicações e de uma engenhosidade impressionante. Ai eu fiquei pensando; como é que eu vou convidar o povo para ler a resenha postada no blog da Georgia? Enquanto bolava um meio, olhava absorto o toró que caia aqui em Niterói e algumas pessoas que passavam desfrutando daquela tromba d'água, durante essa madrugada e tive a ideia; ao invés de falar do nome do livro e do autor vou indicar o endereço do blog e deixá-los matar a curiosidade com uma visita, tal qual uma experiência de banho de chuva...não dá para falar da sensação das gotas no rosto sem experimentar, sem se molhar.
Assim os convido a se molharem no blog http://www.elasestaolendo.blogspot.com/ e aí vocês ficam sabendo qual foi o livro que eu indiquei para minha colega de trabalho!!!
sábado, 10 de abril de 2010
Luto
Não me recordava como a vida é tão dura e como as pessoas estão mal tratadas, esquecidas , entregues a própria sorte. Muitas só tem o dia e anoite, isso está estampado no rosto de homens, mulheres e crianças que vivem nas imediações da Central do Brasil, um dos pontos mais conhecidos do Rio de Janeiro. É dificíl passar por ali e não sentir-se incomodado, não pelo fato daquelas pessoas estarem ali, mas pelo fato de ter que ser daquele jeito. A forma como se organizam, a forma como a circunstância lhes ensinou a viver. Passando pela Central no meio daquela multidão que chegava, trazida pelos vagões da supervia, experimentei o absurdo da realidade. Multidão apressada, em todas as direções , para pegar a condução para mais uma viagem entre tantas daquele dia. Eles todos eram embalados por uma trilha sonora contrastante. Toda sujeira, todos os orelhões quebrados, todas as filas de todos os ônibus (caindo aos pedaços) sucatas ambumlantes. tendo ao fundo o tema da novela das oito..bossa nova, suave, limpa harmonia que parecia a metafora do que todos ali almejam ou desejam. Metafora perversa só concebida na mente de quem caminhava na contra mão, no contra-fluxo. Enquanto eu caminhava para baixada, toda a baixada baixava no centro em direção à zona sul, aquela mesma do tema que servia como trilha sonora idealizante e porque não dizer , acompanhando Tinhorão, alienante! Mais a frente um murmúrinho, uma aglomeração. O guarda acabara de evitar um assalto , pequeno furto que toda hora acontece..alguns param, outros passam olhando, esticando os ouvidos pra ver (ouvir) se pegam alguma coisa , sem perder o ônibus que vai sair. Eu na contra-mão, procurando um orelhão pra ligar, nos tantos que já havia passado. Todos quebrados. Admitindo uma certa perplexidade descubro, ou constato, o caos ao qual o centro está entregue, assim como outras áreas de nossa cidade (Niterói , São Gonçalo..)A uns 20 anos atrás a coisa não estava assim tão feia. Senti toda minha carioquice se esvair pelo ralo, quer dizer, estacionar no ralo entupido em virtude da última chuva que inundou tudo e encheu as ruas de lama. Nesse caso não foram só as ruas que ficaram sujas de lama, um pouco do orgulho de ser carioca também vai ficando manchado e quase submerso neste lamaçal. O lamaçal das chuvas, mas também o do trambique, da indiferença com o povo, do descuido com o outro, o que acaba influênciando nas "gentes".
Ps. Este texto foi escrito na madrugada do dia 06.04.2010. Dia em que Rio e Niterói assitiram a maior tragédia, por causas naturais, registrada desde a década de 70.
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